quinta-feira, 2 de abril de 2009

Espera

Ela o esperou passar pela janela por dias a fio. Passava sempre no mesmo horário, nunca vestido a trabalho. Na verdade, passava no mesmo horário, mas quase sempre. Quase passava. Quase nunca, mas passava.
Um dia, ele passou e sorriu. Ela achou que esse seria um motivo para que ele passasse sempre a partir daquele dia.
Não passou mais. Ela sorriu por dias. Se maquiava, se arrumava, ajeitava o cabelo, ia para a janela e sorria, mas não adiantava. Parou de se arrumar, parou de pôr grampos no cabelo e o sorrisso murchou.
Um dia ele passou. Olhou para a direção oposta e pela contração de suas orelhas, ela pôde ver que, sim, ele sorria.