Eu penso se o único sentimento que vale é o que dura. Um bom sentimento, há pouco tempo, passou assim que acordei. Tenho tido esses sentimentos relâmpagos, acho, e talvez isso me preocupe. Não se lembra dos sentimentos, já viu? Não se consegue. Há um aroma deles, algo como aquele cheiro de bebida que se mantém na ressaca. É uma recordação da recordação, como acontece com a dor física; não se lembra dela.
Passou. Isso me entristece. A lembrança da lembrança não faz o meu coração bater mais forte. Fico triste porque realmente queria que aquilo durasse, mas eu não mando em mim.
Será que vale a pena então? Se ao menos eu conseguisse lembrar... mas acontece que até pouco da situação lembro.
Com o que me deleito agora? Nem um frio no estômago. Nada. Talvez um temor no ego, sabe-se lá se ele vai inflar ou murchar depois de tudo. Ele quer se proteger, é claro. Eu quero me proteger.
Temor também de acabar parando de sentir.
sexta-feira, 10 de abril de 2009
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Dois amigos reticentes
Ele: Sabe... estou sentindo um vazio... sabe?
Ela: Sei...
Ele: Aquela tarde sem tempo....
Ela: Sei...
Ele: Aquele vento sem som...
Ela: Sei...Ele: Aquela estrada sem fim...
Ela: Sei...
Ele: Já deu para entender... mas é que eu estava gostando de poesiar...
Espera
Ela o esperou passar pela janela por dias a fio. Passava sempre no mesmo horário, nunca vestido a trabalho. Na verdade, passava no mesmo horário, mas quase sempre. Quase passava. Quase nunca, mas passava.
Um dia, ele passou e sorriu. Ela achou que esse seria um motivo para que ele passasse sempre a partir daquele dia.
Não passou mais. Ela sorriu por dias. Se maquiava, se arrumava, ajeitava o cabelo, ia para a janela e sorria, mas não adiantava. Parou de se arrumar, parou de pôr grampos no cabelo e o sorrisso murchou.
Um dia ele passou. Olhou para a direção oposta e pela contração de suas orelhas, ela pôde ver que, sim, ele sorria.
Um dia, ele passou e sorriu. Ela achou que esse seria um motivo para que ele passasse sempre a partir daquele dia.
Não passou mais. Ela sorriu por dias. Se maquiava, se arrumava, ajeitava o cabelo, ia para a janela e sorria, mas não adiantava. Parou de se arrumar, parou de pôr grampos no cabelo e o sorrisso murchou.
Um dia ele passou. Olhou para a direção oposta e pela contração de suas orelhas, ela pôde ver que, sim, ele sorria.
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